Revista Textura 7ª Edição

 

Nos confins das origens, a mão da mãe

Maria Elisa Pessoa Labaki*

Resumo

A construção do corpo erógeno é uma operação de engenharia executada pela mãe ou substituto. O eixo narcísico dos contornos do corpo do bebê, bem como o sentido gradual de sua posse, que fazem parte do sentimento contínuo de existência no espaço e tempo, nasce do paradoxo presença/ausência maternas. Investimento no devir e no exercício permanente de diferenciação, a maternidade precisa perder em narcisismo e ganhar em objetalidade. Abrir mão do bebê imaginado e préforjado traduz um esforço materno que dá vida ao bebê real. Se a gravidez mantém a simbiose de um corpo para dois e o parto faz a ruptura, então, com o nascimento, mãe e filho se encontram, cada um à sua maneira, com a imposição da separação e o apelo que esta faz para a diferença, a alteridade.

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