Nos
confins das origens, a mão da mãe
Maria Elisa Pessoa Labaki*
Resumo
A
construção do corpo erógeno é uma operação de engenharia executada
pela mãe ou substituto. O eixo narcísico dos contornos do corpo do
bebê, bem como o sentido gradual de sua posse, que fazem parte do
sentimento contínuo de existência no espaço e tempo, nasce do
paradoxo presença/ausência maternas. Investimento no devir e no
exercício permanente de diferenciação, a maternidade precisa
perder em narcisismo e ganhar em objetalidade. Abrir mão do bebê
imaginado e préforjado traduz um esforço materno que dá vida ao
bebê real. Se a gravidez mantém a simbiose de um corpo para dois e
o parto faz a ruptura, então, com o nascimento, mãe e filho se
encontram, cada um à sua maneira, com a imposição da separação e o
apelo que esta faz para a diferença, a alteridade.
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