Revista Textura 7ª Edição

 

Outra razão – Ser Falante

Ivete Villalba*

Saída da clínica de conflito para uma clínica formalizada.

(Lacan, 1977)

A psicanálise é o melhor que se tem, para sustentar a condição do

ser falante na realidade humana no que ela tem de absurdo.

(Lacan, 1977)

Quando interrogado se estava copiando uma paisagem, Cézanne

respondeu que estava pintando outra natureza.

(Harris, 1982)

Resumo

Este texto trata a questão da existência no procedimento psicanalítico, operado como análise de juízos, mediante uma lógica da decisão, condição necessária para que aquele que demandou uma análise – o ser sem existência ontológica – obtenha existência lógica e se torne ser falante. Estabelecida a diferença entre a identidade ontológica e a identidade lógica, advém outro modo de existir, o ex-sistir. Nesta posição afirma-se um ser falante que é capaz de constatar o absurdo da realidade humana. Para que o ser falante advenha, o analista deve sustentar-se no procedimento: saber ler posição, destacar o pedido específico de análise, a problemática psicanalítica, ou seja, a razão enganada do demandante para implicá-lo, pois ele não sabe que faz aquilo do qual se queixa. Portanto, o procedimento analítico fundamentado numa lógica da decisão possibilita que aquele que pediu uma análise venha a se identificar à estrutura do sintoma analítico – identidade lógica diferente da identificação ao atributo, o significante –, precedente necessário para sair da posição petrificada.

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