Em
defesa do silêncio
Erane Paladino*
Resumo
O
presente artigo abre uma reflexão sobre as contradições observadas
nos modelos contemporâneos. O excesso de estímulos externos,
aliado a valores associados ao consumo, leva a um ideal de
felicidade que impede o espaço para a construção da subjetividade
e para o singular. Baseando-se em autores da contemporaneidade,
questões sobre os modelos de perfeição, o apelo à imagem e a
banalização do sofrimento são apresentadas neste trabalho. Este
processo dá origem ao que Ianni (1999) chama de fragmentação do
real, disperso pelo espaço e despedaçado no tempo: “Troca-se
experiência por aparência, o real pelo virtual, o fato pelo
simulacro, a história pelo instante, o território pelo dígito, a
palavra pela imagem.” Segundo o autor, coisas, gentes e idéias,
assim como palavras, gestos, sons e imagens se deslocam pelo
espaço, atravessando a duração, revelando-se flutuante,
itinerante, volante. O controle vem pelos excessos e gera torpor e
passividade. Ocorre uma espécie de esvaziamento, diante de
infinitos ruídos, luzes, imagens e apelos.
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