Revista Textura 7ª Edição

 

Em defesa do silêncio

Erane Paladino*

Resumo

O presente artigo abre uma reflexão sobre as contradições observadas nos modelos contemporâneos. O excesso de estímulos externos, aliado a valores associados ao consumo, leva a um ideal de felicidade que impede o espaço para a construção da subjetividade e para o singular. Baseando-se em autores da contemporaneidade, questões sobre os modelos de perfeição, o apelo à imagem e a banalização do sofrimento são apresentadas neste trabalho. Este processo dá origem ao que Ianni (1999) chama de fragmentação do real, disperso pelo espaço e despedaçado no tempo: “Troca-se experiência por aparência, o real pelo virtual, o fato pelo simulacro, a história pelo instante, o território pelo dígito, a palavra pela imagem.” Segundo o autor, coisas, gentes e idéias, assim como palavras, gestos, sons e imagens se deslocam pelo espaço, atravessando a duração, revelando-se flutuante, itinerante, volante. O controle vem pelos excessos e gera torpor e passividade. Ocorre uma espécie de esvaziamento, diante de infinitos ruídos, luzes, imagens e apelos.

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