Revista Textura 7ª Edição

 

Supereu e relação de objeto no consumismo: da sociedade sem pai de H. Marcuse ao excesso de pai da leitura lacaniana da sociedade de consumo

Conrado Ramos*

Resumo

Questiona-se a idéia de Herbert Marcuse, no artigo denominado “A obsolescência da Psicanálise”, de que a ausência de uma pessoa que possa encarnar o ideal de eu e se colocar como objeto de vínculos sentimentais do eu em constituição significa que caminhamos para uma sociedade sem pai. Para esse autor, o aparato de produção dominante, como agente “desencarnado” da lei e como suporte do “ideal de eu universal” é responsável, às custas da opressão totalitária do particular, por evitar o colapso do grupo pela liberação da energia destrutiva decorrente da ausência do pai. Sustentamos que o aparato de produção dominante funciona como agente desencarnado do pai ao portar a lei do gozo e se coloca como Outro não barrado. Assim, invertemos a concepção de uma sociedade sem pai para propormos como problema um “excesso de pai”.

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