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Supereu
e relação de objeto no consumismo: da sociedade sem pai de H.
Marcuse ao excesso de pai da leitura lacaniana da sociedade de
consumo
Conrado Ramos*
Resumo
Questiona-se a idéia de Herbert Marcuse, no artigo denominado “A
obsolescência da Psicanálise”, de que a ausência de uma pessoa que
possa encarnar o ideal de eu e se colocar como objeto de vínculos
sentimentais do eu em constituição significa que caminhamos para uma
sociedade sem pai. Para esse autor, o aparato de produção dominante,
como agente “desencarnado” da lei e como suporte do “ideal de eu
universal” é responsável, às custas da opressão totalitária do
particular, por evitar o colapso do grupo pela liberação da energia
destrutiva decorrente da ausência do pai. Sustentamos que o aparato
de produção dominante funciona como agente desencarnado do pai ao
portar a lei do gozo e se coloca como Outro não barrado. Assim,
invertemos a concepção de uma sociedade sem pai para propormos como
problema um “excesso de pai”.
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