Revista Textura 3ª Edição

POR UMA PSICOSSOMÁTICA DA PSICANÁLISE
Paulo Schiller

Resumo: Num percurso pela obra de Lacan, retomamos os momentos em que menciona os termos psicossomática, fenômeno e holófrase. Os eventos que acometem no organismo devem ser cindidos em sintomas ou fenômenos, segundo a possibilidade que oferecem ou não à interpretação.

LEIA TRECHOS:

Quando se pensam as relações entre o psiquismo e o organismo é essencial delimitar-se de imediato que existe mais de uma psicossomática.
(...) A psicossomática médica é o receptáculo dos restos incompreendidos da medicina oficial. (...) Podem ter uma "vertente" psíquica os quadros clínicos não justificados por evidências orgânicas (...) A psicologia se insere no mesmo terreno epistemológico que a medicina. Também propõe a dicotomia entre mente e corpo herdada do cogito cartesiano.(...).
Em psicanálise utilizamos ainda o mesmo termo que o médico e o psicólogo, (...). Além das imposições da própria clínica, (...) razões (...) impõem a necessidade do estabelecimento cada vez mais preciso das bases de uma psicossomática da psicanálise.
Para tanto, faremos (...) um percurso pela obra de Lacan (...) que certamente abriu as trilhas a serem seguidas.(...) Lacan (...) localiza a psicossomática para além das construções neuróticas. Assinala que ela se situa no limite da elaboração teórica, ao nível do real (...). (...) teremos que a "psicossomática é algo que não é um significante". Uma "petrificação", uma "gelificação" não permite a constituição de um intervalo entre S1 e S2, como na holófrase. (...).
Lacan liga assim o conceito de holófrase ao fenômeno psicossomático. (...) na holófrase o sujeito não se conta. Identifica-se a ela. Solidifica-se ao significante.
(...) Na solidificação do par significante S1 / S2 há uma suspensão da função do significante enquanto tal, (...).Lacan afirma que os fenômenos psicossomáticos são traços inscritos no corpo, semelhantes a hieróglifos que não sabemos ler. (...).
(...) O hieróglifo que caracteriza o fenômeno psicossomático é esse símbolo que nada representa para o sujeito. Um carimbo marca o corpo como um enigma que o sujeito é incapaz de ler. Como se em algum lugar houvesse um experimentador oculto, veiculando um desejo que para o sujeito permanece recoberto, inacessível.(...)


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