Resumo: O objetivo deste artigo é questionar
a afirmação, que circula no discurso psicanalítico,
relativa ao declínio do pai na pós-modernidade e
suas conseqüências na subjetividade. A partir da fala
de um pai, entrevistado numa emissora de rádio, são
tecidas considerações a respeito da função
paterna, simbólica, diferenciando-a da imago paterna como
instância imaginária da paternidade. Trata-se da
constituição do sujeito desejante e, através
de um texto de Kierkegaard, exemplifica-se a função
fálica, que articula não só o corpo à
pulsão como o desejo à Lei. A respeito da subjetividade
contemporânea é destacada a preeminência do
narcisismo.
LEIA TRECHOS:
(...) Na psicanálise, fala-se da pós-modernidade
e de seus efeitos na subjetividade. O chamado "declínio
da função paterna" é freqüentemente
referido à pós-modernidade e a este declínio
são atribuídas novas patologias psíquicas.
(...)Proponho que coloquemos em discussão essa afirmação
e, para tanto, gostaria de relatar um fragmento de entrevista
que escutei, no começo do ano 2000, numa emissora de rádio
paulista.
(...) O repórter perguntou ao entrevistado como ele imaginava
que seriam as relações familiares no próximo
século. O entrevistado respondeu que, a seu ver, as mudanças
não iriam acontecer com a virada do século, pois,
havia muito tempo, elas vinham se produzindo. Pediu licença,
então, para relatar uma pequena história familiar,
para melhor ilustrar seu pensamento.
(...) Com esta história o entrevistado nos diz que as mudanças
nas relações familiares começaram quando
ele abriu mão dos privilégios, a que tanto ambicionara
na sua infância, em favor dos seus filhos. A questão
é por que cedeu? (...)Por que quando ele é pai não
pode usufruir as vantagens que sua condição lhe
outorga? (...)O que nós, como psicanalistas, podemos dizer
desta fala? Fala que é uma bela metáfora da constituição
de um sujeito desejante e das dificuldades, neuróticas
certamente(...).
(...)É característico da modernidade, e do narcisismo
parental, esse lugar privilegiado das crianças. (...)
(...) Se são somente o declínio da imago paterna
e o narcisismo os temas que sublinho, o faço porque acredito
que são os que nos permitem pensar nos efeitos subjetivos
das transformações ocorridas no nosso "Século
Breve", denominação dada por Eric Hobsbawm
ao século XX.(...).
(...) Será que é o mesmo dizer declínio da
função e declínio da imago?
quer
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