Resumo: A autora apresenta uma articulação
entre a posição da histérica e a posição
do adolescente, do ponto de vista psicanalítico. A partir
do caso de uma das histéricas atendidas por Freud, aponta
várias características presentes na clínica
com o adolescente, desde a demanda, a transferência, até
os impasses na condução da análise, destacando
a função do tempo da interpretação.
Ilustra com um caso clínico de uma adolescente de 13 anos,
em que a análise, assim como a de Dora, fracassou devido
à dificuldade de manejo da relação transferencial.
LEIA TRECHOS:
(...)Existe uma estreita relação entre
histeria e adolescência, a partir principalmente de uma
atopia que faz o sofrimento tanto da histérica - ao não
encontrar seu lugar no mundo - quanto do adolescente, que não
tem estatuto social definido (...)
(...)Na época de Freud, a adolescência era um conceito
incipiente - ele mesmo o utilizou poucas vezes a propósito
de seus pacientes. Mesmo tendo já um estatuto de significante,
a adolescência não se configurava como um tempo (...)Entretanto,
quando hoje nos reportamos a alguns dos casos por ele relatados,
deparamo-nos com pacientes que poderiam perfeitamente corresponder
a um estatuto de adolescente. Por exemplo, Katharina, o Homem
dos Lobos e Dora.
(...)No que concerne a Dora, é possível identificar
em alguns de seus sintomas uma posição tipicamente
adolescente. (...) este caso permite-nos também acompanhar
com minúcias esta proximidade entre o que seria uma posição
enunciativa adolescente e uma posição enunciativa
histérica.
(...)Indo mais longe poderíamos sugerir que as dificuldades
encontradas por Freud em suas intervenções e na
condução da análise seriam peculiares à
clinica com adolescentes. O adolescente situa o analista numa
peculiar situação transferencial: o da desconfiança,
nesse momento em que vê fracassar as encarnações
do Outro , na medida em que as figuras parentais aparecem falhas
e não mais sustentam o sujeito em sua enunciação.
(...)A histeria, por sua vez, resolve-se justamente, enquanto
estrutura, através da constatação desta falta,
vivida como impotência, o que faz dela a neurose por excelência.
(...)O adolescente passa por uma posição histérica
por necessidade, pois se depara com o final do tempo de garantia
representado pela infância (...)
(...)Só lhe resta interrogar incessantemente o mestre,
não em seu enunciado, mas em sua própria enunciação
- no que ela possa deixar entrever de desejo, para decifrar o
enigma. Para manter o desejo vivo, é preciso não
deixar o mestre acertar nunca, mas marcá-lo incessantemente
com a falta. Aí estão eles - a histérica
e o adolescente - pondo o pai na berlinda, (...).
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