Resumo: O artigo destaca os principais conceitos
da teoria psicanalítica relevantes para a compreensão
da função materna. Retoma os conceitos de trauma,
Édipo, castração, narcisismo e luto em Freud.
Resume as abordagens teóricas de Melanie Klein, Bion, Winnicott,
Piera Aulagnier e Lacan e suas conseqüências para o
entendimento da neurose e da psicose, a partir dos primeiros mecanismos
que operam na constituição do sujeito.
LEIA TRECHOS:
Freud (...) na virada de 1920, quando introduz em
"Mais além do princípio do prazer" a questão
da compulsão à repetição e a pulsão
de morte, ilustra com (...) o jogo do fort-da, a primeira expressão
lúdica da elaboração da falta da mãe
pela criança, da ausência do objeto e seu esboço
de elaboração simbólica.
(...)A vida se constitui como trauma desde o nascimento e as quantidades
e qualidades que circulem nesta dialética, única
para cada ser humano: prazer - desprazer, privação
- gratificação, amor - ódio, determinará
nosso destino individual.
(...)Laplanche, autor pós-freudiano,(...) marca a importância
da mãe e sua responsabilidade de erotizar com suas carícias
o corpo da criança.(...) Como a mãe está
posicionada em relação à lei, se atravessou
ou não a castração, suas identificações
e sua própria sexualização determinarão
sua própria capacidade de relacionar-se com o filho reconhecendo-o,
ou não, como algo diferente de si e não só
como extensão de sua própria imagem.
(...)Tudo isto está implicado na análise da função
materna. Se a mãe está alienada em seu narcisismo,
sem capacidade de processar lutos, sem reconhecimento da lei e
não tem passagem pela sexualização, esta
função estará comprometida
(...) Define-se como mito familiar o lugar simbólico que
espera cada sujeito , alienando-o numa estrutura, uma rede social
pré-existente. O bebê entra nesta trama emocional
e discursiva que o coloca(...).A especificidade e a singularidade
dos progenitores, terão de ser levadas em conta em toda
a trama que se queira decifrar para compreender a subjetividade
e a contribuição materna à sua constituição.
(...)Assim como os neuróticos permitiram a Freud , por
ampliação a descoberta do inconsciente , a psicose
amplia a possibilidade de se entender a construção
da subjetividade da primeira etapa da vida.A rigor todos os autores
pós-freudianos e pós -kleinianos tentaram avançar
com seus modelos nessa direção .
(...)Em todas as áreas onde opere a ética de ser
para um outro, as "profissões impossíveis",
como dizia Freud, porém possíveis: a educação,
a política, a psicanálise(...) estará presente
a função materna, busca de Eros, pulsão de
vida.
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