Revista Textura 3ª Edição

A MÃE E SUA FUNÇÃO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA
Lea Bigliani

Resumo: O artigo destaca os principais conceitos da teoria psicanalítica relevantes para a compreensão da função materna. Retoma os conceitos de trauma, Édipo, castração, narcisismo e luto em Freud. Resume as abordagens teóricas de Melanie Klein, Bion, Winnicott, Piera Aulagnier e Lacan e suas conseqüências para o entendimento da neurose e da psicose, a partir dos primeiros mecanismos que operam na constituição do sujeito.

LEIA TRECHOS:

Freud (...) na virada de 1920, quando introduz em "Mais além do princípio do prazer" a questão da compulsão à repetição e a pulsão de morte, ilustra com (...) o jogo do fort-da, a primeira expressão lúdica da elaboração da falta da mãe pela criança, da ausência do objeto e seu esboço de elaboração simbólica.
(...)A vida se constitui como trauma desde o nascimento e as quantidades e qualidades que circulem nesta dialética, única para cada ser humano: prazer - desprazer, privação - gratificação, amor - ódio, determinará nosso destino individual.
(...)Laplanche, autor pós-freudiano,(...) marca a importância da mãe e sua responsabilidade de erotizar com suas carícias o corpo da criança.(...) Como a mãe está posicionada em relação à lei, se atravessou ou não a castração, suas identificações e sua própria sexualização determinarão sua própria capacidade de relacionar-se com o filho reconhecendo-o, ou não, como algo diferente de si e não só como extensão de sua própria imagem.
(...)Tudo isto está implicado na análise da função materna. Se a mãe está alienada em seu narcisismo, sem capacidade de processar lutos, sem reconhecimento da lei e não tem passagem pela sexualização, esta função estará comprometida
(...) Define-se como mito familiar o lugar simbólico que espera cada sujeito , alienando-o numa estrutura, uma rede social pré-existente. O bebê entra nesta trama emocional e discursiva que o coloca(...).A especificidade e a singularidade dos progenitores, terão de ser levadas em conta em toda a trama que se queira decifrar para compreender a subjetividade e a contribuição materna à sua constituição.
(...)Assim como os neuróticos permitiram a Freud , por ampliação a descoberta do inconsciente , a psicose amplia a possibilidade de se entender a construção da subjetividade da primeira etapa da vida.A rigor todos os autores pós-freudianos e pós -kleinianos tentaram avançar com seus modelos nessa direção .
(...)Em todas as áreas onde opere a ética de ser para um outro, as "profissões impossíveis", como dizia Freud, porém possíveis: a educação, a política, a psicanálise(...) estará presente a função materna, busca de Eros, pulsão de vida.

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