Revista Textura 3ª Edição

QUESTÕES A RESPEITO DA TRANSMISSIBILIDADE DA PSICANÁLISE
Sidnei Artur Goldberg

Resumo: Em Psicologia de grupo e análise do ego, Freud estabeleceu os parâmetros que lhe pareciam essenciais para a formação de qualquer grupo, resumindo-os a dois laços emocionais: o amor ao Pai e a identificação aos irmãos. A possibilidade de algo diverso é a questão que move este texto. Também são abordados problemas institucionais no que se convencionou chamar a formação do psicanalista, contrapondo-se uma tendência freudiana a uma lacaniana em relação a estas questões. É sugerida uma aproximação com o anarquismo como forma de retomar e ampliar o debate.

LEIA TRECHOS:

Será possível construirmos algo diferente de igrejas e exércitos para nos agruparmos?
(...) se os analistas por definição, para assim poderem se reconhecer, tivessem que ter passado por uma experiência que lhes reduzisse o narcisismo ao mínimo e, ao mesmo tempo, através da dissolução da transferência no seu aspecto imaginário, não pudessem mais acreditar no gozo de um Outro ao qual pudessem devotar seus esforços, amor e suposição de saber, seria então de se esperar que pudessem inventar uma nova forma de relacionamento
(...) Lacan, seguindo Freud em Totem e tabu, afirma que a fraternidade é o resultado do Pai morto. Mais, afirma que a segregação funda a fraternidade, que é uma forma de estarmos isolados juntos. Portanto, se tivéssemos algo diverso ocupando este lugar paterno poderíamos esperar um resultado diferente de uma fratria.
(...) os psicanalistas já se ocuparam bastante em cotejar a psicanálise com temas políticos - o marxismo, a democracia, o totalitarismo, a globalização. Mas há um que ficou, como um esqueleto no armário, o anarquismo.
(...)evitar a maior das canalhices: a de que qualquer semelhante possa ser confundido com o lugar do Outro, tomado como Outro. (...)

quer ler mais ...