Resumo: este artigo trata da abordagem psicanalítica
da função da tatuagem, tomando-a não somente
como enfeite corporal, mas como pré-condição
da produção de representantes do sujeito. Persegue
essa função tentando precisar seus invariantes em
diferentes culturas, situando-a como ligada à sacralização
do corpo.
LEIA TRECHOS:
(...)O repertório de traços que suportam
o olhar de nosso corpo é bastante variado e se modifica
conforme a cultura. É preciso que se diga que esse olhar,(...)
Ele precisa compor uma espécie de coluna vertebral que
mantenha todo equilíbrio do corpo(...).
Por que os homens começaram a tatuar-se, fazer-se "piercing",
escarificar-se ou mesmo mutilar-se?(...).
(...)Precisa-se (...) considerar que a diferença da produção
desses traços no corpo, (...) Diz respeito, sim, a uma
complicada superposição entre objeto, traço
e ato resultante do recalcamento originário (...).
(...) qual a relação entre essas práticas
e a construção de uma imagem corporal?
(...)Não é simples apreender as relações
entre os diferentes suportes do corpo, naquilo que seu funcionamento
pressupõe de heterogeneidade radical, bem como a forma
que se constitui sua contenção. Estamos denominando
de heterogeneidade a condição de que nosso organismo
inclui símbolos e imagens em seu funcionamento. (...)E
as imagens vão se apoiar, privilegiadamente, nos orifícios
de nosso corpo. Curioso é que por essa condição
os orifícios serão erogeneizados (...).
(...) O que chama atenção tanto na tatuagem, quanto
no "piercing" é sua dupla condição:
a de fazer orifício e a de acrescentar elementos estranhos
ao organismo como compondo o corpo próprio(...). Essas
duas condições nos dão uma pista sobre a
seguinte questão: a constituição do olhar
- ou mesmo de um traço - do Outro como exterioridade apóia-se
também na inclusão de uma exterioridade - um elemento
estrangeiro - no próprio funcionamento do corpo.
(...)Até aqui vimos como a tatuagem pode ligar-se - num
ponto circunscrito - ao desenho de uma imagem corporal. (...)
Vamos propor, agora, uma outra configuração, que
também faz parte do ato de tatuar-se. Ela diz respeito
à composição de uma "figura da ausência".
(...) A questão da ausência também é
destacada no senso comum, quando se busca representar na pele
uma memória que não se desloca, não se substitui.
Está na representação de amores e nomes,
(...) quase como "investidos" de sua nostalgia.
quer
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