(
) Parece estar havendo a quebra dos fundamentos
do contrato social, com consequente desproteção
de uma parcela da população e, por vezes, total
desanparo social, impedindo seu acesso efetivo aos recursos institucionais
organizadores da vida social ( saúde, educação,
moradia, trabalho, segurança, etc...) (...)
(...)As questões que levanto neste trabalho não
dizem respeito à elaboração de novas teorias,
mas à construção de uma escuta clínica
que leve em conta a especificidade de tais pessoas e situações,
e que trabalhe a necessidade de uma qualificação
que habilite psicólogos e psicanalistas a detectarem as
sutís malhas da dominação e a não
confundirem seus efeitos com o que é próprio do
sujeito. (...)
(...) A escuta desses sujeitos pode tanto lhes propiciar dar andamento
à articulação significante, rompendo com
identificações imaginárias,como contribuir
para elucidar alguns efeitos subjetivos do "bom" funcionamento
do sistema. (...)
(...) O tema é, portanto, o impasse da resistência
do analista com uma ética do sujeito; com seu confronto
com ela. (...)
(...) na relação analista-analisando, os sujeitos
ocupam lugares opostos na estrutura social: a inclusão
e a exclusão, frente a frente. Um porta vários dos
emblemas que possibilitam posições fálicas,
sabe e domina os instrumentos da pertinência - o psicanalista
é designado nessa função por ser, na estrutura
social, o representante de um certo saber que lhe confere um lugar
de escuta e fala. O outro, o paciente está, digamos, fora
do acesso a essas posições, o que frequentemente
toma o peso imaginário de estar fora, excluido da estrutura
social. (...)
(...) Assim, antes de pensar em diagnósticos e estruturas,
é preciso escutar o sujeito (...)
quer
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