Revista Textura 2ª Edição

A TRANSMISSÃO DA PSICANÁLISE
Luciano Elia

(…) a transmissão da psicanálise é sempre da ordem da aposta, e jamais da garantia prévia. (…)
(…) Freud diz que o que se aprende na transferência não se esquece. Altera, assim, profundamente, o sentido do verbo aprender dando-lhe um estatuto de verdade: na transferência, trata-se de aprender, verdadeiramente, algo da verdade do aprendiz. (…)
(…) o significante é o traço apagado, semi apagado, (…)
(…) o traço, para encadear-se com outro, precisa perder algo de sí, de seu traçado , ou de sua "tracidade". O traço, uno, firme e nítido, não se enlaça com outro traço. A condição para que o traço vire significante, faça cadeia, é que algo nele se apague e é essa margem apagada que anseia, por assim dizer, por outra marca-semi-apagada. (…)
(…) Se a barra do significante vigora sempre, ela pode, entretanto, ser elidida, não invocada, não colocada em jogo. Neste caso, o inconsciente cessa de ser transmissível. Para que haja transmissão, é necessário que o agente da transmissão se coloque em posição de agente de um discurso sujeito à barra, (…)

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