Revista Textura 2ª Edição

ENTRE A SOCIEDADE E A FAMÍLIA:
UMA RECUSA ESTRÁBICA?

Jean-Pierre Lebrun

(…) O nível do Humano, se nos referimos ao que o especifica, a saber a linguagem, exige a perda do gozo absoluto, imediato, total. Só pelo fato de entrar nesse campo, o sujeito se exclui do gozo e é marcado pelo limite: inscreve-se assim para ele que a coisa inominável é faltante, e por esse motivo, uma decepção irredutível o afeta, uma insatisfação estrutural, seu ser se molda assim necessariamente a partir de um "Não!" (…)
(…) Na verdade tudo se passa como se nosso social, (…) não transmitisse a necessidade desse "Não!" (…) isso não é senão uma aparência enganosa, que na verdade esse "Não!" está ainda em vigor, mas que ele não se apresenta mais com a visibilidade de antes e certamente também não apresenta mais visibilidade suficiente para que alguém se deixe convencer de sua necessidade. (…)
(…) A Verleugnung (…) o desmentido se dá sobre os traços de percepção, ou seja, sobre a própria realidade. Trata-se, portanto, de um modo de defesa que consiste na recusa de reconhecer a realidade de uma percepção. (…)
(…) para demonstrar a proximidade desse mecanismo psíquico com o dispositivo contemporâneo, (…), citaremos Joel Dor quando este descreve a base da identificação Perversa: "De uma certa maneira é porque o discurso significante materno deixa em suspenso o questionamento da criança sobre o objeto do desejo da mãe, que esta questão repercute e leva a criança a conduzir sua interrogação além do lugar em que sua identificação fálica encontra um ponto de parada. (…)

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