Revista Textura 2ª Edição

O CORPO SILICLÔNICO
Geraldino Alves Ferreira Nett
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(…) o sintoma, etimologicamente aquilo que cai junto (com o corpo), pode ser entendido como a palávra que se infeccionou dentro do corpo. (…)
(…) Modificar esteticamente o corpo não é novidade. Há culturas em que se tenta encompridar o pescoço, encurtar os pés, diminuir a cintura, introduzir cilindros de madeira nos lábios para aumentar seu volume. A moda, hoje, é injetar próteses de silicone nos seios, nas nádegas, no pênis, para salientar as formas ou melhorar o desempenho. Procedimentos de lipoaspiração e de cirurgias da mama buscam o efeito contrário, de reduzir volumes. Há também os que decidem pela troca do sexo. É sempre o imaginário na busca da completude, do corpo perfeito, do irresistível objeto de desejo, da negação da falta, da busca da longevidade e da imortalidade, a incansável negação da morte. (...)
(...) Fazer do corpo um claro objeto de desejo ou de admiração, como o corpo da top-model, do atreta de musculação, enfim, o corpo fálico, são modos modernos para velhos objetivos, do prazer ao dinheiro. (…)
(…) Até onde as mulheres suportariam o peso da onipotência criadora? Qual seria o significado do desejo da mãe, por parte desta e do filho clonado? Não seria a clonagem uma nova e moderna tentativa de produzir uma raça pura, finalmente ariana e com DNA selecionado, superior, um retorno da política nazista, sem necessidade das câmaras de gás, camuflada de avanço humanitário e científico? (…)

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