Revista Textura 2ª Edição

OS OLHOS DA MEMÓRIA
Edson Luiz André de Souza

(…) Quais são, portanto, as condições de transmissão que dão forma e consistência à experiência do sujeito contemporâneo? Se o que dá consistência a uma história, a uma memória e a uma narrativa é uma perspectiva de construção de um singular que tem a virtude de dizer também do que é partilhado no coletivo, as condições de transmissibilidade destas experiências estão, como sabemos, na ordem do dia.(...)
(...) Quais os espaços de compartilhamento das experiências singulares no laço social? Qual a história, a memória e a narrativa possíveis para cada um de nós? (…)
(…)"Infância em Berlim" e ficar atônito ao perceber que uma imagem de memória infantil, um traço de fantasia quase esquecido nos mostra a força de uma imagem como organizadora do mundo. Esta imagem traz, por conseguinte, tanto a precisão do conceito como a imprecisão das sensações. (…)
(…) a epopéia do detalhe: o pequeno traço, uma palávra, um fragmento de fantasia como motor de todo uma história. Era esta também a perspectiva inaugurada por Freud. É elucidativa, por exemplo, a primeira frase deste texto quando diz: "Saber orientar-se numa cidade não significa muito. No entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer instrução".(…)
(…) O sintoma revela, então, uma história pelo seu avesso, pelo que ficou recalcado, negado. (…)
(…) Há várias formas de narrar. Uma história pode ser contada de várias perspectivas inclusive desde o olhar dos próprios objetos. "O espelho" nos diz que a alma exterior de uma pessoa pode estar num simples botão de camisa" Os objetos adquirem portanto uma função de olhar, lugares possíveis do Outro. (…)

quer ler mais ...