(
) Quem não viveu a experiência
de Ter os sonhos lidos como rébus tal como recomenda Freud
logo no início do capítuloVII da Interpretação
dos Sonhos - não desenvolve a capacidade de ler, de modo
análogo, o texto Freudiano. (
)
(
) A dificuldade de preservar o ateísmo da escritura
decerto reside em que suportar o incognoscível, não
combina, em geral, com o espírito humano que jamais se
cansa de procurar organizar-se no sentido de encontrar, rapidamente,
respostas fixas e certezas imutáveis ao enigma da vida
e da morte. (
)
(
) Moisés é o texto mais claro da obra freudiana
onde encontramos esta articulação entre o mito e
o recalcamento como resposta à questão da transmissão.
Ele decifra, por sua própria escritura, os traços
da morte da imagem ( invenção do monoteísmo
), os traços da morte do objeto ( a invenção
da escritura ) e os traços do próprio assassinato.
O pai morto torna-se a letra textual dessa escritura e, enquanto
tal, produz o efeito de não identidade e o de autodiferença.
(
)
(
) Mais próximo da ética dos antigos escribas
e intérpretes do Antigo Testamento do que dos cientistas
e mesmo dos analistas que insistem em ler o Inconsciente com base
numa gnosis de símbolos, Freud em Moisés e o Monoteísmo
desconstrói o texto: convoca palávras, reinscreve
traços, corta letras, dá corpo aos brancos de um
pergaminho de tempos imemorias e ressignifica, genialmente, o
Pentateuco. (
)
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