(...)Em Japonês escreve-se com o corpo. (
)
(
) Conta a lenda que um monge budista cego, famoso pela
sua habilidade no biwa (instrumento musical), foi atraído
por fantasmas da corte de um senhor feudal a quem costumava apresentar
sua arte. Para evitar que fosse levado ao além, procurou
ajuda de um monge superior que escreveu no seu corpo sutras budistas
em kanji, aconselhando-o a recitá-los continuamente para
não responder aos chamados dos espíritos. (...)
Os ideogramas tornariam seu corpo invisível, protegendo-o,
portanto.(
)
(
) Já o kanji "homem " (
) inclui
traços conceituais. Poderíamos logo supor: a parte
de cima mostra a cabeça e a parte inferior lembra o corpo
e membros humanos. Não se trata disso. A parte de cima
é ta (arrozal) e a parte de baixo, chikara (arado que necessita
de força para se movimentar). Então homem é
aquele que possui a força para movimentar o arado no arrozal.
(
)
(
)fascínio exercido pelo kanji-despojado-de-sentido
no Ocidente, especialmente os nikkei (pessoas de origem japonesa)
brasileiros. (
)
(
)Para os nissei (ni = segundo; sei = geração)
e os sansei (san = terceiro que não estudaram o kanji por
falta de escolas japonesas ou pela rejeição à
cultura paterna, os ideogramas apresentam-se plenos de significados
e, ao mesmo tmpo, vazios de sentido. Os kanji os acompanharam
sempre nos livros, nos jornais, no cinema e nos nomes dos ancestrais
inscritos no iha, as placas de madeira colocadas no butsudan (butsu
= buda; dan = altar ou plataforma, o "santuário"
privado da família japonesa). Daí que, para os nissei,
os ideogramas são plenos de significados mas estes lhes
escapam. São desconhecidos e não representam exatamente
a palavra escrita , mas uma outra coisa.
quer
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