Revista Textura 2ª Edição

O FASCÍNIO IRRESISTÍVEL DO KANJI
Taeco Toma Carignato

(...)Em Japonês escreve-se com o corpo. (…)
(…) Conta a lenda que um monge budista cego, famoso pela sua habilidade no biwa (instrumento musical), foi atraído por fantasmas da corte de um senhor feudal a quem costumava apresentar sua arte. Para evitar que fosse levado ao além, procurou ajuda de um monge superior que escreveu no seu corpo sutras budistas em kanji, aconselhando-o a recitá-los continuamente para não responder aos chamados dos espíritos. (...) Os ideogramas tornariam seu corpo invisível, protegendo-o, portanto.(…)
(…) Já o kanji "homem " (… ) inclui traços conceituais. Poderíamos logo supor: a parte de cima mostra a cabeça e a parte inferior lembra o corpo e membros humanos. Não se trata disso. A parte de cima é ta (arrozal) e a parte de baixo, chikara (arado que necessita de força para se movimentar). Então homem é aquele que possui a força para movimentar o arado no arrozal. (…)
(…)fascínio exercido pelo kanji-despojado-de-sentido no Ocidente, especialmente os nikkei (pessoas de origem japonesa) brasileiros. (…)
(…)Para os nissei (ni = segundo; sei = geração) e os sansei (san = terceiro que não estudaram o kanji por falta de escolas japonesas ou pela rejeição à cultura paterna, os ideogramas apresentam-se plenos de significados e, ao mesmo tmpo, vazios de sentido. Os kanji os acompanharam sempre nos livros, nos jornais, no cinema e nos nomes dos ancestrais inscritos no iha, as placas de madeira colocadas no butsudan (butsu = buda; dan = altar ou plataforma, o "santuário" privado da família japonesa). Daí que, para os nissei, os ideogramas são plenos de significados mas estes lhes escapam. São desconhecidos e não representam exatamente a palavra escrita , mas uma outra coisa.

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