Revista Textura 1ª Edição

Sonho e Realidade

Raul Albino Pacheco Filho

LEIA TRECHOS:

(...)Freud mostrou algo ainda mais importante, na produção desse e de outros fenômenos: a realidade do inconsciente ! Chegou a isso a partir de uma crença vigorosa em sua intuição de que os sonhos (assim como outros fenômenos subestimados pela ciência não psicanalítica, como os sintomas e atos falhos) possuíam significação. E, foi investigando o seu sentido que ele pôs à mostra uma nova origem (que vai além da causalidade externa e somática e da atividade consciente) e novas funções: os sonhos são formações do inconsciente; originam-se a partir dos desejos e de suas vicissitudes(...)

(...)o desejo inconsciente liga-se a resíduos diurnos e efetua uma transferência para eles, o que pode ocorrer tanto durante a vigília quanto no sono. Este desejo procura chegar, através do pré-consciente, à consciência. Encontrando a censura, esses pensamentos regridem, como decorrência dos efeitos combinados desta e da atração que cenas infantis recalcadas exercem sobre eles. No curso de seu caminho regressivo, o processo onírico adquire o atributo de representabilidade. Finalmente, “(...) quando o conteúdo do processo onírico tornou-se perceptivo, pelo fato de haver (...) encontrado um meio de fugir à censura e pelo estado de sono do Pcsc, ele consegue atrair atenção para si próprio e ser notado pela consciência.”  (Freud, 1900a, p.612)

É, portanto, sob a forma de um sonho, que essas cenas infantis recalcadas e as moções pulsionais a elas aderidas podem encontrar um modo de expressão. O sonho reconduz o próprio pensamento a um modo de trabalho anterior: o processo primário, em que se busca, sem mediações, a repetição de percepções (identidades de percepções) ligadas à satisfação de necessidades. Trata-se do reinvestimento alucinatório das representações ligadas à vivências de satisfação constitutivas do desejo(...)

(...)pretendo prosseguir em uma outra direção, buscando refletir sobre mudanças na teoria freudiana dos sonhos que o próprio avanço da teoria e da prática psicanalíticas vieram a exigir(...)

(...)embora não seja oposta a ambos (princípio de prazer e de realidade), a ‘Bindung’  é independente e prioritária em relação a eles(...)

(...)A sua função primeira, de ‘ligação’ das experiências traumáticas, proderia ser considerada uma defesa contra a invasão da realidade: seja a realidade externa, ou a realidade do corpo(...)

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