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Vida
e Morte
Isidoro
Vegh
(...)
Os convido a que juntos cometamos uma heresia: vamos interrogar o
conceito mais obscuro que tem nossa disciplina, reabrir o dossiê do
conceito de pulsão de morte.(...) seguiremos mantendo o conceito de
pulsão de morte como Freud o traçou , como Lacan o retomou (...).
(...)
Jenseits des Lustprinzips. Dizem que Freud o começou a escrever no
ano de1919, o terminou e o publicou no ano seguinte.È da maturidade
freudiana, embora não do final da sua obra.Aí se produz uma
virada, esse texto marca “um antes” e “um depois” na teoria,
reconhecido explicitamente como tal por Freud, que dirá que desde
que introduziu o conceito de pulsão de morte, já não pôde pensar
em outros termos; essa noção se lhe impôs.
(...)
Este conceito de pulsão de morte tem sido, na história da psicanálise,
um dos mais difíceis de digerir (...).
A
tese básica que Freud
manteve até o momento em que escreve o texto que nos ocupa, é que
nosso aparelho psíquico se move porque busca
prazer e quer diminuir ou evitar o
desprazer.
O
texto começa com uma enumeração de uma série de fenômenos, que
poderiam por objeção ao postulado
que sustentou até aquele momento.
(...)
O imagino (...) refletindo e dizendo-se? “ Terei me equivocado a
vida toda? Aqui há algo que não fecha”(...) Freud avança ,
interroga, se deixa interrogar.Diz: “Vejamos, tudo responde ao
princípio do prazer?”
Quando
busco prazer, de imediato há algo que se me opõe (...) é a
primeira objeção ao princípio do prazer.(...) Freud diz a
respeito: “ Há aqui uma questão difícil de resolver em termos
de economia prazer-desprazer.Por que estes sujeitos sonham com algo
que reitera uma franca situação de desprazer? Que desejo pode
estar em jogo? Menciona a fixação ao trauma, conceito que introduz
por sua vez uma pergunta: Como se fixa um trauma? Por acaso de um
modo equivalente à fixação neurótica a um gozo?
(...)
Resistências, diz Freud.Mas que resistências? Porque o
inconsciente – tal como o reitera neste texto – a única coisa
que quer é (...)
retornar.(...).
Ainda
resta a Freud um argumento contra o princípio do prazer fora dos
jogos das crianças e da transferência; no jogo da vida
(...).”Neuroses de destino”, sentencia Freud, qualidade do demoníaco
que parece impor-se mais além de nós mesmos, que o sujeito sofre
como desprazer no que está implicado: é ele que conduz
seus passos à mesma pedra.(...).
Até
aí tudo bem, mas as neuroses de destino ou a reação terapêutica
negativa que creio serem a verdadeira razão que leva Freud a
escrever esse texto, não são situáveis em termos da criação da
repetição, entendida como insistência significante.
Proponho
então que demos valor conceitual à diferença entre uma repetição
e outra (insistência significante / repetição do mesmo).Tarefa na
qual poderia ajudar-nos o nó do qual se serve Lacan.
Assinalo
que se trata dos nós borromianos
desenvolvidos como trança.(...).
Assim
substituo um esquema dual de oposição entre pulsão de vida e pulsão
de morte, por um esquema trinitário (...) a depender de como se
anelem (...) haverá de produzir-se: uma neurose de destino; uma
formação do inconsciente propiciatória; ou uma persistência narcísica;
um gozo que chega, em seu extremo ao nirvana (...).
quer
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