Revista Textura 1ª Edição

O MATRIARCADO
Charles Melman

LEIA TRECHOS:

(...)é com nossa religião que tudo isto é abalado e que o pai da realidade, o bom pai de família, não está mais aí a não ser como representante, delegado, funcionário de um Pai situado no real e que este pai na realidade, o nosso, vai ter de fazer celebrar em sua família um culto até então inédito porque ele deverá testemunhar que é, pela renúncia ao gozo que é fornecida a insígnia fálica. É o que denominamos castração(...)

(...)Todo esse percurso apenas para fazer observar que aquilo sobre o que tento falar a respeito do mestre e do pai, nada mais é senão a presença ativa em nossa própria cultura, e mesmo que não seja manifestamente nomeada como tal...de quê ? Da presença do Matriarcado!(...)

(...)No que se refere ao menino, como ele se vira neste caso, quando é Mamãe a potência suprema ?(...)

(...)esse filho assim eleito, vai ser incumbido de algumas tarefas familiares que poderia supor-se devam ressaltar da função paterna, mas que ele acaba se mostrando bem mais capaz de resolver, porque seria nesse quadro o verdadeiro eleito da mãe(...)

(...)nossa tendência em querer fazer da cena familial o lugar central do devir subjetivo talvez não passe tampouco, afinal, de uma defesa(...)

(...)a cena social, na medida em que ela é organizada por uma linguagem articulada efetiva, isto é, organizada por uma língua nacional, não deixa de se referir, com isso, a um pai comum(...)

(...)para alguns, o lugar do combate, o lugar da reivindicação, o lugar do conflito continuará sendo a cena familial e seus protagonistas, ao passo que, outros vão se empenhar no conflito social(...)

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