Revista Textura 1ª Edição

“Vou  Chamar meu pai!”
Alejandro Luis Viviani

LEIA TRECHOS:

       Esta frase, “vou chamar meu pai!” (...) uma criança utiliza (...) num momento de desproteção, ameaça, medo, impotência, etc.;portanto, o chamado ao pai é a forma de proteção  que a criança tem.(...) A resposta pode ser  não só no real, como também no imaginário e no simbólico  (...) os significantes paternos que respondem ao sujeito lhe permitem descansar, aliviar-se e estar protegido, assim como ter os suportes da sua filiação e sexuação. Agora, se a função paterna estabelecida possibilita isto de uma vez por todas, para que apelar a ela sistematicamente?(...) Há um eco disso na fala do obsessivo, quando este se apresenta como lugar-tenente do pai.Filho dileto e devotado desse pai, que duplicado (se o da realidade é ruim o imaginário vale) na figura do superior lhe dá a garantia imaginária de assegurar seu lugar e não ter que se sacrificar para o Outro.Ele teria que cumprir com a obrigação de satisfazer a seu Outro, mas a angústia  que isso provoca só pode ser acalmada por um Pai que cumpra  com sua responsabilidade.É salvo para a sexualidade e tem uma dívida  por esta.Dívida exagerada com aquele por quem tem tanto amor, com o concomitante medo à homossexualidade.A possibilidade da tentação deverá ser evitada enquanto se acredite na possibilidade da realização.Como se liberar de Um sem ficar escravo do Outro? Mantendo sintomaticamente um pai agonizante, aquele que deveria morrer, mas nunca poderia morrer.Essa é a sua dúvida e a morte é um jogo discursivo, entre matá-lo para realizar o incesto ou que viva para ser mantido como sujeito.O lugar de Deus e o lugar do filho estão assegurados.O jogo com a morte lhe permite estar em outra parte onde defende seu desejo como impossível. Escondido no banheiro ou detrás da porta poderia gozar de uma cena que daria conta de sua origem ao preço de sua exclusão.(...)

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