Revista Textura 1ª Edição

Literatices cani(a)nas.

Era uma vez...Uma esperança que se foi!
Alduísio Moreira de Souza

LEIA TRECHOS:

(...) Sabemos a partir de Freud que o sujeito toma existência a partir do recalque, ou seja, o procedimento que transforma a perda em falta, e permite ao sujeito uma consistência suportável na realidade e que possa assumir as contingências de sua vida, sem que ela se torne um padecimento constante O recalque constitui assim um ato inteligente em si, que traz em seu bojo a criatividade e a invenção como pressupostos, e cujo ápice será o sintoma.(...) Este sendo a maneira própria da existência do sujeito vai lhe conferir uma singularidade desejante, pela falta (...) que lhe será imposta pelos efeitos do recalque, seu retorno como formações do inconsciente, (...) marcará a descontinuidade do seu existir, significante, que incidirá a todo momento em seu fluxo discursivo.A descontinuidade  então será da linguagem, não como acidental mas constitutiva. O homem é linguagem, e seu inconsciente, como os atos que recortam o seu dizer de maneira inusitada, tendo como causa o desejo, é – ( não há como sofismar),organizado como uma linguagem.Esta tentativa de salvaguarda constitui ao contrário, procedimentos que colocaram eticamente a psicanálise em xeque-mate  no que concerne sua vocação clínica, o que vem expresso na expressão largamente utilizada de que o inconsciente é lingüístico, onde então fica eliminada a necessidade de análise de cada um, (...) uma aporia, para não dizer  uma astúcia deselegante.O conceito chave da psicanálise  que é o de significante não se confunde com o significante lingüístico.Não, o inconsciente, a partir dos ensinos de Freud e Lacan, não é lingüístico.Ele é pulsional, e se manifesta por atos desejantes, com valor ontológico fundamental, pois é ontologia do múltiplo, e seu objeto não é nada mais que pura causa  com o atributo único de ser diferencial e negativo.É a carência que o sustém e o mantém eficiente, quer dizer, produtor de atos.(...)

Hoje é muito comum a vocação totalitária da psicanálise, ou melhor dizendo, dos psicanalistas, manejando o instrumental teórico da psicanálise  para dar conta explicativamente e conclusivamente de questões políticas, sociais, literárias, das fantasias do cotidiano, pequenos incidentes caseiros e turísticos, de educação, dentro do espírito de dizer que: Freud explica, quando podemos saber que ele só implica; responsabilidades por exemplo.Nada pode impedi-los já que o desconfiômetro  e o bom senso não lhes é de utilidade.(...)            

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